Por tipo de negócio
Salão com vários profissionais: uma agenda para todos
Uma coluna por profissional, não uma lista partilhada
Quando um salão passa de uma para três ou quatro pessoas, o erro mais frequente é manter uma única lista de marcações por hora. Com uma cadeira, isso funciona. Com várias, aparecem as sobreposições, os clientes marcados para «quem estiver livre» e as dúvidas sobre quem fez cada serviço.
A regra é simples: cada profissional tem a sua coluna e cada marcação fica numa só coluna. Isto resolve três problemas:
- Vês quem está ocupado: sabes quem está livre às 15h sem teres de perguntar.
- O cliente escolhe: quem prefere uma profissional marca com ela; quem não tem preferência fica com a primeira vaga disponível.
- As contas do mês ficam feitas: cada serviço fica associado a quem o fez, e é daí que saem as comissões.
Numa agenda digital, confirma que cada profissional tem serviços, horários e preços próprios, e não apenas uma cor diferente. No Nevi, por exemplo, a agenda tem uma coluna por profissional e os serviços e horários definem-se para cada pessoa, o que trata dos passos seguintes.
Passo 1: define que serviços faz cada profissional
Antes de configurares a agenda, faz uma tabela com os serviços nas linhas e as pessoas nas colunas. Marca apenas o que cada uma faz com confiança e com o resultado que queres para o salão.
| Serviço (exemplo hipotético) | Profissional A | Profissional B | Profissional C |
|---|---|---|---|
| Corte de senhora | Sim | Sim | Não |
| Coloração | Sim | Não | Não |
| Corte de homem e barba | Não | Sim | Sim |
| Manicure | Não | Não | Sim |
Depois de configurares esta tabela, a agenda deixa de aceitar uma coloração na coluna de quem não faz coloração. O cliente que marca online só vê, para cada serviço, as pessoas que o fazem. Revê a tabela sempre que alguém termina uma formação ou deixa de fazer um serviço.
Passo 2: o mesmo serviço pode durar mais ou menos conforme quem o faz
Uma profissional com muitos anos de casa e alguém em início de carreira não precisam do mesmo tempo para o mesmo corte. Se a agenda usar um único tempo para todos, a pessoa mais lenta acumula atrasos e a mais rápida fica com intervalos vazios.
- Define a duração de cada serviço por profissional e não só por serviço.
- Separa o tempo de trabalho do tempo de pausa (por exemplo, a pausa da coloração). Se a agenda o permitir, aproveita essa pausa para um serviço curto na mesma coluna.
- Durante duas ou três semanas, aponta quanto tempo cada pessoa demora de facto e ajusta.
Para acertar os tempos e os intervalos com mais detalhe, segue o guia tempos de serviço e intervalos na agenda.
Passo 3: preços diferentes por profissional
Cobrar mais quando o serviço é feito por uma profissional mais experiente é uma forma de valorizar a experiência e de distribuir a procura. Para o cliente perceber a diferença, segue estas regras:
- Usa poucos níveis. Dois ou três chegam (por exemplo: profissional e sénior). Um preço diferente para cada pessoa confunde.
- Mantém o nome do serviço. «Corte de senhora» é o mesmo serviço em todas as colunas; muda só o preço.
- Mostra o preço antes da marcação. O cliente deve ver quanto vai pagar quando escolhe a profissional, e não apenas na caixa.
- Escreve o critério para subir de nível (anos de experiência, formações, procura). Evita discussões dentro da equipa.
Exemplo hipotético: um corte de senhora custa 22 € com uma profissional e 28 € com uma sénior. Se a sénior tem a agenda cheia e a outra profissional tem vagas, os clientes mais atentos ao preço passam para a segunda, e a sénior fica com tempo para os serviços que só ela faz.
Sobre o que a tabela afixada tem de mostrar, consulta afixar preços e horário no salão.
Passo 4: horários, folgas e férias de cada um
Cada profissional deve ter o seu horário na agenda, incluindo os dias de folga e os intervalos. Assim, a marcação online só oferece vagas dentro desse horário. Bloqueia também formações, consultas médicas e saídas mais cedo assim que as souberes.
As ausências maiores também ficam na agenda:
- Férias: o mínimo são 22 dias úteis por ano (art. 238.º do Código do Trabalho). No ano de admissão, são 2 dias úteis por cada mês de contrato, até 20, que se podem gozar ao fim de 6 meses completos (art. 239.º). Se não houver acordo, quem marca as férias é o empregador. Nas pequenas, médias e grandes empresas, só as pode marcar entre 1 de maio e 31 de outubro; esse limite não se aplica às microempresas (art. 241.º).
- Feriados: se o salão abre num feriado e alguém faz trabalho normal nesse dia, tem direito a descanso compensatório de metade das horas trabalhadas ou a um acréscimo de 50 % da retribuição. A escolha entre as duas opções é do empregador (art. 269.º do CT).
Bloqueia as férias na agenda logo que estejam aprovadas, para que ninguém marque clientes nesses dias. Para montar as escalas sem conflitos, lê horários e escalas da equipa e férias da equipa num salão.
Passo 5: comissões calculadas a partir da agenda
Se cada serviço está na coluna de quem o fez, as comissões calculam-se a partir da agenda. Antes disso, define por escrito quatro pontos:
- Base de cálculo: valor do serviço com ou sem IVA, antes ou depois de descontos e vales.
- Serviços partilhados: se uma pessoa aplica a cor e outra faz o corte, como se divide a comissão.
- Venda de produtos: se dá comissão e a que taxa.
- Faltas e cancelamentos: normalmente não geram comissão, mas convém que a regra esteja escrita.
Exemplo hipotético: uma profissional tem 920 € de salário base e recebe 10 % sobre os serviços que ultrapassem 3 000 € por mês. Num mês em que a agenda regista 4 200 € de serviços feitos por ela, a comissão é de (4 200 € − 3 000 €) × 10 % = 120 €, e o total é de 1 040 €.
Com qualquer modelo de comissões, a retribuição não pode ficar abaixo da retribuição mínima mensal garantida, que em 2026 é de 920 € no continente (DL n.º 139/2025). Para comparar modelos de comissão, lê comissões para cabeleireiras e esteticistas e faz as contas na calculadora de comissões da equipa.
Erros comuns
- Uma só duração para todos: provoca atrasos em cadeia na coluna de quem é mais lento.
- Marcações sem profissional: no fim do mês ninguém sabe a quem atribuir o serviço.
- Ausências fora da agenda: as férias ficam combinadas de boca e os clientes continuam a marcar nesses dias.
- Preços diferentes sem explicação: o cliente só descobre na caixa e sente-se enganado.
- Comissões sem regras escritas: cada caso novo, como um vale ou um serviço partilhado, acaba numa discussão.
O que fazer amanhã
- Faz a tabela de serviços por profissional e confirma-a com cada pessoa.
- Escreve o horário semanal de cada um, com folgas e intervalos.
- Decide se vais ter níveis de preço e quais.
- Põe na agenda as férias e as ausências já combinadas.
- Escreve numa página as regras das comissões e entrega uma cópia a cada profissional.
- Durante duas semanas, anota os tempos reais de cada serviço e ajusta as durações.
Perguntas frequentes
Posso cobrar preços diferentes pelo mesmo serviço consoante o profissional?
Não encontrámos nenhuma regra que o proíba. O importante é o cliente ver o preço quando escolhe a profissional e a tabela de preços mostrar a diferença com clareza.
A comissão pode substituir o salário de uma funcionária?
A retribuição não pode ficar abaixo da retribuição mínima mensal garantida, que em 2026 é de 920 € no continente. Por isso, o modelo mais seguro é uma parte fixa mais uma comissão, com as regras escritas.
Quantos dias de férias tem cada funcionária do salão?
No mínimo 22 dias úteis por ano (art. 238.º do Código do Trabalho). No ano de admissão, são 2 dias úteis por mês de contrato, até 20, que se podem gozar ao fim de 6 meses completos.
Quem trabalha num feriado recebe mais?
Se o salão abre num feriado e a funcionária faz trabalho normal, tem direito a descanso compensatório de metade das horas trabalhadas ou a um acréscimo de 50 % da retribuição. A escolha é do empregador (art. 269.º do CT).
Fontes
- Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009), versão consolidada – Diário da República (consultado a 18/10/2026)
- Retribuição mínima mensal garantida para 2026 – DGERT (consultado a 18/10/2026)