Serviços: fichas para profissionais
Corte degradê (fade): guia do serviço para salões
O que é o corte degradê (fade)
No corte degradê, o cabelo fica mais curto à medida que desce para a nuca e para as laterais, até chegar a um comprimento mínimo ou à pele. O que faz um bom fade é a transição: entre os vários comprimentos não se devem ver degraus nem linhas. Em cima, o cabelo pode ficar como o cliente quiser: texturizado, penteado para trás, crop ou com caracóis.
Combina com a tua equipa os mesmos nomes para cada variante. O cliente chega com uma fotografia, e é comum dois barbeiros darem nomes diferentes ao mesmo corte:
- Low fade (degradê baixo): a transição começa logo acima das orelhas e da nuca. É o mais discreto.
- Mid fade (degradê médio): começa mais ou menos à altura das têmporas.
- High fade (degradê alto): sobe até perto do ponto onde a cabeça começa a curvar e dá mais contraste com o topo.
- Skin fade ou bald fade: qualquer um dos anteriores, mas a parte de baixo termina na pele, acabada com shaver ou navalha.
- Taper: o degradê fica só nas patilhas e na nuca, e o resto das laterais mantém comprimento.
- Drop fade e burst fade: no drop, a linha desce por trás da orelha em direção à nuca. No burst, o degradê faz um semicírculo à volta da orelha.
A técnica, explicada de forma simples
- Combinar a altura e o comprimento final. Mostra com o dedo onde começa o fade e pergunta se o cliente quer pele, pente curto ou alavanca fechada em baixo. Confirma o comprimento do topo antes de pegares na máquina.
- Tirar volume. Passa as laterais e a nuca com um pente mais comprido, para ficares com uma base uniforme.
- Marcar a linha guia. Com o comprimento mais curto, marca a linha de base à altura combinada, igual dos dois lados.
- Construir a transição. Sobe por zonas com pentes cada vez maiores. Usa a alavanca para os meios-números e, no fim de cada passagem, afasta a máquina da cabeça com um movimento curto em arco.
- Apagar as linhas. Trabalha as zonas de junção de baixo para cima, até não se verem degraus com luz direta. Olha para o corte de frente, de lado e com o espelho por trás.
- Ligar ao topo. Usa tesoura sobre pente ou máquina sobre pente para unir as laterais ao comprimento de cima.
- Acabamento. Faz os contornos com a máquina de acabamento: nuca, patilhas e a linha da testa, se a combinaste. No skin fade, acaba com shaver ou navalha de lâmina descartável.
Cada cabeça tem redemoinhos, saliências e às vezes cicatrizes. Antes de começares, passa a mão pela cabeça e vê como o cabelo cresce na nuca. Isso pode obrigar a pôr a linha mais alta ou mais baixa do que o cliente pediu. Explica-lhe porquê antes de cortar, não depois.
Material
- Máquina de corte com alavanca e um jogo completo de pentes guia, incluindo meios-números.
- Máquina de acabamento (trimmer) para os contornos.
- Shaver ou navalha com lâminas descartáveis, para o skin fade.
- Tesoura, pente de corte, escova de pescoço, capa e golas descartáveis.
- Produto de limpeza e desinfeção para lâminas e pentes, usado entre clientes conforme as instruções do fabricante.
- Espelho de mão, para mostrares a nuca no fim.
Erros comuns
- Ficarem linhas visíveis entre pentes, sobretudo na zona mais curta.
- Os dois lados ficarem a alturas diferentes. Confirma sempre de frente para o espelho, com o cliente direito na cadeira.
- Subir demais logo na primeira passagem: depois já não consegues baixar a linha.
- Fazer skin fade a quem tem cicatrizes, pele irritada ou tendência para pelos encravados sem avisar como vai ficar.
- Esquecer a cor do cabelo e da pele. Em cabelo claro e fino, o degradê nota-se menos e o couro cabeludo vê-se mais.
- Usar lâminas sem fio ou mal limpas, que puxam o cabelo e irritam a pele.
Para quem é e quando não fazer
O fade resulta em quase todos os tipos de cabelo (liso, ondulado, encaracolado ou afro) e não é só para homens. Também aparece em undercuts femininos, em pixies com a nuca em degradê e em cortes de criança. Não faças a parte rapada, ou adia-a, se houver feridas, irritação, descamação forte, borbulhas inflamadas ou sinais de infeção na zona a cortar. Nos produtos que usas (antissético, loção pós-barba, pó, styling), segue as indicações do fabricante. Em caso de dúvida de saúde, pede ao cliente que fale com o médico antes da marcação.
O que perguntar antes
- Até que altura quer o degradê, e em baixo quer pele ou pente? Tem uma fotografia de referência?
- Já fez fade antes? Ficou como queria? O que mudaria?
- Como penteia o topo e quanto tempo gasta com o cabelo em casa?
- Tem a pele da nuca sensível, costuma ficar irritado com a lâmina ou tem alergia a algum produto?
- Aceita que o corte seja fotografado para o portefólio do salão?
Nome, contacto e preferências de corte podem ficar na ficha sem consentimento, porque são necessários para prestar o serviço (art. 6.º, n.º 1, al. b) do RGPD). Já uma resposta como «tenho psoríase» ou «sou alérgico a este produto» é um dado de saúde. Só a podes registar com o consentimento explícito do cliente (art. 9.º, n.º 2, al. a) do RGPD). Vê o que podes guardar em ficha de cliente e RGPD. Para publicar o corte nas redes sociais, pede antes a autorização de uso de fotografias.
Como descrever no menu de serviços
Põe em linhas separadas as variantes que demoram tempos diferentes. Assim o cliente escolhe a certa e a agenda não fica curta. Exemplos de texto:
Corte degradê (fade): laterais e nuca em degradê baixo, médio ou alto, com transição sem linhas. Inclui corte do topo à tesoura ou à máquina, contornos e finalização com produto.
Skin fade: degradê até à pele, acabado com shaver ou navalha, com corte do topo e contornos. Para quem quer o máximo contraste.
Fade + barba: corte degradê que continua pelas patilhas até à barba, com contorno e acabamento da barba no mesmo serviço.
Como definir duração e preço com os teus tempos reais
Não copies a duração de outra barbearia. Mede a tua:
- Nos próximos cortes de cada variante, aponta a hora de início (cliente sentado) e a hora de fim (cliente pronto a pagar). Separa por variante e por profissional.
- Junta o tempo de limpar a cadeira, as lâminas e os pentes antes do cliente seguinte.
- Na agenda, usa o tempo médio e não o teu melhor tempo. Para acertar intervalos e folgas, vê tempos de serviço e intervalos.
- Põe esse tempo na calculadora do preço de um serviço, com o custo do teu tempo e do material: lâminas descartáveis, golas, produto de finalização e desgaste da máquina.
O skin fade leva mais passagens e acabamento à lâmina, por isso mede-o à parte e dá-lhe um preço próprio. Para montar os combinados (fade com barba, fade com desenho), segue preços numa barbearia.
Como vendê-lo junto com outros serviços
- Barba: é o combinado mais natural, porque o degradê continua pelas patilhas. Vê a ficha de barba e barbear.
- Risca ou desenho: um extra rápido que se nota muito. Mostra fotografias de trabalhos teus, com autorização dos clientes.
- Lavagem e massagem capilar: também tira os cabelos soltos antes de o cliente sair.
- Produto de styling: usa no corte o produto que tens à venda e ensina o cliente a aplicá-lo à frente do espelho.
- Retoque de laterais: um serviço mais curto, só laterais e contornos, entre cortes completos.
Cuidados posteriores a dar ao cliente
- Se a pele ficar sensível na zona rapada, não coçar e evitar nesse dia produtos com álcool ou perfume.
- Proteger do sol a pele da nuca e das laterais, que agora fica exposta.
- Lavar o cabelo como de costume e pentear o topo como mostraste.
- Não tentar acertar a nuca em casa com a máquina. Se quiser manter o contorno, marca um retoque.
- Se aparecer irritação, borbulhas ou vermelhidão que não passa, falar com o médico.
Manutenção e como marcar a próxima visita
A zona mais curta é a primeira a mostrar o crescimento, por isso o fade perde nitidez antes de o resto do corte parecer crescido. Quanto tempo aguenta depende de cada cliente, da rapidez com que o cabelo cresce e da nitidez que exige. Na ficha, aponta a variante, os pentes usados em cada zona, a altura da linha e o intervalo que funcionou. Na visita seguinte, qualquer pessoa da equipa consegue repetir o corte.
Faz a marcação seguinte ainda na cadeira, enquanto o cliente está contente com o resultado. Se preferires que o cliente remarque sozinho, uma página de marcações com lembretes automáticos, como a do Nevi, ajuda a que a manutenção não fique esquecida.
O que dizer ao cliente no fim
Mostra a nuca com o espelho de mão e explica o que fizeste em duas frases. Por exemplo: «Deixei o degradê médio com pele em baixo e o topo mais comprido à frente, como pediste. A parte de baixo é a primeira a crescer, por isso, se gostas de o ver sempre limpo, vamos já marcar o retoque?» Depois, diz-lhe o produto e a quantidade que usaste, para conseguir pentear em casa.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre fade e taper?
No fade, o degradê sobe pelas laterais e pela nuca até à altura combinada. No taper, fica só nas patilhas e na nuca, e o resto das laterais mantém comprimento.
Posso fazer skin fade a um cliente com pele sensível?
Se houver feridas, irritação ou sinais de infeção na zona, não faças a parte rapada ou adia-a. Nos outros casos, segue as indicações do fabricante dos produtos e, em caso de dúvida de saúde, pede ao cliente que fale com o médico.
Preciso de consentimento escrito para fazer um corte degradê?
Para o corte em si, não. Para guardar informação de saúde na ficha, como alergias ou doenças de pele, precisas de consentimento explícito (art. 9.º, n.º 2, al. a) do RGPD), e para publicar fotografias precisas de consentimento específico para isso.
De quanto em quanto tempo deve o cliente voltar para manter o fade?
Depende da rapidez com que o cabelo cresce e da nitidez que o cliente exige. Aponta na ficha o intervalo que funcionou e faz logo a próxima marcação antes de ele sair.
Fontes
- Regulamento (UE) 2016/679 (RGPD), arts. 6.º e 9.º (consultado a 18/10/2026)