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Gerir um salão de cabeleireiro: coloração, tempos de pausa e equipa
O essencial: a coloração tem três fases e só duas ocupam o profissional
Numa coloração, o cabeleireiro não está ocupado do princípio ao fim. Primeiro aplica a cor. Depois vem o tempo de pausa, em que a cor atua. No fim há a lavagem, o tratamento e a finalização. Se a agenda marca o serviço como um bloco único, o profissional fica parado durante a pausa e perdes uma vaga por cada coloração do dia. Se dividires o serviço, ganhas espaço para outro cliente sem alargar o horário.
Tempos de pausa: como os usar sem atrasar ninguém
1. Divide cada serviço químico em segmentos
Para cada coloração, madeixas ou descoloração, define na agenda três segmentos:
- Aplicação: o profissional e a cadeira estão ocupados.
- Pausa: a cadeira (ou a zona de espera) está ocupada e o profissional está livre.
- Lavagem e finalização: o profissional volta a estar ocupado, tal como o lavatório e a cadeira.
A duração de cada segmento tem de vir do teu salão e não de uma tabela genérica. Cronometra os teus serviços durante algumas semanas, separa por técnica e por comprimento de cabelo e usa a média. O guia sobre tempos de serviço e intervalos na agenda explica como fazer essa medição.
2. Escolhe o que cabe na pausa
Na pausa só deves encaixar serviços que acabam antes de a cor estar pronta, com folga. Servem bem os serviços curtos, sem química e sem lavatório demorado: um brushing já lavado, um corte de franja ou um corte simples. Não servem outra coloração cuja aplicação termine ao mesmo tempo que a pausa da primeira, nem um serviço que dependa do mesmo lavatório no mesmo momento.
3. O tempo do produto não se negoceia
O tempo de pausa é o que o fabricante indica para aquele produto e aquela técnica. Não o encurtes nem o alargues para acertar a agenda. Se o serviço que encaixaste se atrasar, interrompe-o ou pede a um colega que faça a lavagem. A cor não fica a atuar mais do que o indicado só porque tens as mãos ocupadas.
4. Evita colisões
- Não marques duas aplicações seguidas ao mesmo profissional se as pausas terminam ao mesmo tempo.
- Usa um temporizador por cliente com o nome escrito, e não um único alarme para todos.
- Confirma que há um lavatório livre no fim de cada pausa.
- Se tens assistente, define de antemão quem lava: o colorista ou o assistente.
- Diz ao cliente em pausa quanto tempo falta e onde pode esperar. Ninguém gosta de se sentir esquecido.
Exemplo de uma manhã (hipotético)
Imagina uma profissional, a Ana, com três clientes numa manhã. Os blocos são unidades de tempo do teu salão, não durações reais.
| Bloco | Cliente A (coloração) | O que a Ana faz |
|---|---|---|
| 1 | Aplicação | Aplica a cor à cliente A |
| 2 | Pausa | Corta o cabelo à cliente B |
| 3 | Lavagem e finalização | Lava e finaliza a cliente A; a cliente B paga na receção |
| 4 | Concluído | Começa a aplicação da cliente C |
Com a coloração num bloco único, a cliente B só caberia depois do bloco 3. Divididos os segmentos, entra dentro da pausa.
Fichas de coloração: a fórmula é do salão, não da memória de alguém
Quando um cliente volta para a raiz, a pior frase que se ouve é "faz o mesmo da última vez" e ninguém sabe o que foi. Cada coloração deve deixar uma ficha com:
- A data do serviço e o profissional que o fez.
- A marca e a referência de cada tom usado.
- A quantidade de cada tom, sempre na mesma unidade (gramas ou mililitros).
- O oxidante: o volume e a quantidade.
- O tempo de pausa real e se houve fonte de calor.
- A zona aplicada: raiz, comprimentos, pontas.
- O resultado e as observações, por exemplo "ficou mais quente do que o pretendido" ou "na próxima vez quer mais claro".
Tens um modelo pronto a usar na ficha de cliente para cabeleireiro com fórmulas de coloração. Antes de anotares informação sensível, como reações na pele ou alergias, lê o que podes guardar na ficha de cliente à luz do RGPD.
Erros comuns nas fichas
- Escrever "igual à anterior" em vez de repetir a fórmula. Quando a anterior se perde, perde-se tudo.
- Anotar só quando corre bem. As fórmulas que falharam são as que mais te ensinam.
- Ter as fichas numa caixa de papel que só uma pessoa sabe arrumar.
- Deixar o preenchimento para o fim do dia, quando já ninguém se lembra das quantidades.
Uma ficha em papel só serve a quem a tem à frente. Se usares uma agenda digital com fichas de cliente, como o Nevi, a fórmula fica guardada num sítio que toda a equipa consegue consultar antes de começar.
Equipa: regras escritas para o que costuma correr mal
Num salão com várias pessoas, os problemas da coloração raramente são técnicos. Quase sempre são de organização. Põe por escrito, numa página, pelo menos isto:
- Quem formula. Quem pode criar uma fórmula nova e quem só aplica fórmulas já existentes.
- Quem decide os encaixes na pausa. Se é a receção ou o próprio profissional. Se forem os dois, acabam por marcar a mesma pausa duas vezes.
- Pesagem obrigatória. Todas as misturas são pesadas, sem "olhómetro".
- Ficha antes de o cliente sair. Quem fez o serviço preenche a ficha, e o serviço não é dado como concluído sem ela.
- Quem lava e quem limpa. Lavatórios, taças e pincéis têm um responsável por turno.
- Produto e comissão. Se pagas comissões, define se o custo do produto é descontado antes do cálculo. Os modelos possíveis estão no guia sobre como calcular comissões para cabeleireiras.
Rotina de abertura e fecho
- Na abertura, revê as colorações do dia e confirma que os tons de cada fórmula estão em stock.
- Prepara o carrinho de cada colorista com taças, pincéis, balança e luvas.
- Ao longo do dia, cada mistura é pesada e anotada na ficha.
- No fecho, anota os tubos abertos e os tons que estão a acabar.
- Uma vez por semana, conversa com a equipa durante pouco tempo sobre as fórmulas que não correram como o esperado.
Produtos: saber quanto gasta cada serviço
A coloração é o serviço em que o produto mais pesa. Sem medir, não sabes se o preço cobre o custo. A forma mais simples de medir é pesar as misturas e converter as quantidades em euros.
Exemplo (valores hipotéticos): imagina que um tubo de cor de 60 ml te custa 9 €, ou seja, 0,15 € por ml. Uma raiz que leva 45 ml de cor custa 45 × 0,15 = 6,75 €. Se o oxidante vem num frasco de 1 000 ml que custa 8 € (0,008 € por ml), 45 ml custam 0,36 €. Em produto de cor, a raiz custa 6,75 + 0,36 = 7,11 €, sem contar luvas, papel, champô e máscara. Se preparas 60 ml de cor e só usas 45, os 15 ml que vão para o lixo custam mais 2,25 €.
O método completo, com os consumíveis incluídos, está no guia sobre quanto custa cada serviço em produto.
Controlo de stock sem complicar
- Conta todas as semanas os tons que mais usas e todos os meses os restantes.
- Define para cada tom um ponto de encomenda, o número mínimo de unidades abaixo do qual encomendas.
- Usa primeiro os tubos mais antigos.
- Separa o stock técnico (o que usas nos serviços) do stock de revenda (o que vendes ao cliente).
- Anota o desperdício: misturas que sobram, tubos que secaram, produto caído.
Para começares já, usa a folha de inventário de stock do salão.
O que fazer amanhã
- Escolhe as três colorações que mais fazes e divide-as na agenda em aplicação, pausa e finalização.
- Faz uma lista dos serviços curtos que podem entrar numa pausa e partilha-a com quem marca.
- Põe uma balança em cada posto de coloração e torna a pesagem obrigatória.
- Cria ou atualiza a ficha dos clientes de coloração que vêm esta semana.
- Escreve numa página as regras da equipa (quem formula, quem encaixa, quem lava) e afixa-a na zona técnica.
Perguntas frequentes
Posso atender outro cliente durante o tempo de pausa da coloração?
Sim, desde que o serviço que encaixas termine antes do fim da pausa e não te obrigue a deixar a cor atuar mais do que o fabricante indica. Escolhe serviços curtos, sem química e que não precisem do lavatório no mesmo momento.
O que deve ter uma ficha de coloração?
A data, o profissional, a marca e a referência de cada tom, as quantidades, o oxidante usado, o tempo de pausa real, a zona aplicada e o resultado. Anota também o que não correu bem, porque é isso que ajuda a acertar na visita seguinte.
Como sei quanto produto gasto numa coloração?
Pesa cada mistura e converte as quantidades em euros a partir do preço que pagas por tubo e por frasco. Soma os consumíveis e o desperdício para teres o custo real do serviço.
Quem deve preencher a ficha de coloração?
Quem fez o serviço, antes de o cliente sair do salão. Se a ficha ficar para o fim do dia, as quantidades acabam escritas de memória e deixam de ser fiáveis.