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Publicidade de estética nas redes sociais: o que a ERS fiscaliza
Quando é que a ERS entra na publicidade de um centro de estética
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) não fiscaliza toda a estética. Só intervém quando o procedimento é um cuidado de saúde. Na Nota Informativa n.º 2/2025, de 14 de julho de 2025, a ERS explica os três critérios que usa:
- Produto: a bula ou a embalagem indica que o produto é de uso exclusivo por profissionais de saúde.
- Equipamento: o manual indica que o equipamento só pode ser usado por um profissional de saúde.
- Técnica invasiva: implica ingestão, inalação, injeção ou implantação de um produto, ou exige anestesia ou sedação.
Se um serviço cumprir um destes critérios, a publicidade a esse serviço fica sujeita ao Regime Jurídico das Práticas de Publicidade em Saúde (RJPPS), que é fiscalizado pela ERS. Segundo a mesma nota, isto inclui as redes sociais: posts, reels, stories e anúncios pagos. A nota não indica o número do diploma do RJPPS. Se precisares de citar a lei exata, confirma-o junto da ERS ou no Diário da República.
O que a ERS já fez nesta área
- Entre 2022 e meados de 2025 foram propostos 55 processos de contraordenação por publicidade a cuidados de saúde ligados à estética (Nota Informativa ERS n.º 2/2025).
- Entre 2023 e o 1.º semestre de 2025, a ERS fez 165 fiscalizações na área da estética e decretou 16 suspensões de atividade por profissionais não habilitados, comunicadas ao Ministério Público.
Esta regra é aplicada na prática. Um post no Instagram mostra publicamente o que ofereces, e chega a quem fiscaliza tão facilmente como chega às tuas clientes.
Botox e preenchimentos: não os anuncies num instituto de beleza
A ERS diz claramente que a toxina botulínica (botox), os preenchimentos com ácido hialurónico e os fios tensores são cuidados de saúde. Só os médicos e os médicos dentistas inscritos nas respetivas Ordens podem aplicar toxina botulínica e preenchimentos. O espaço tem de ter registo e licença na ERS como clínica ou consultório, com a certidão de registo e a licença afixadas e um diretor clínico identificado (Nota Informativa ERS n.º 2/2025). Uma esteticista não pode fazer estes atos num instituto de beleza. A ERS pode suspender a atividade de imediato (art. 23.º dos Estatutos da ERS, DL 126/2014).
Por isso, se publicas estes atos no perfil de um instituto de beleza, estás a anunciar algo que o teu espaço não pode prestar. Exemplos de publicações a evitar:
- «Promoção de botox até ao fim do mês» ou «lábios com ácido hialurónico».
- «Harmonização facial», quando inclui preenchimentos.
- «Fios tensores: marca já a tua sessão».
- Stories com seringas ou com o produto, a mostrar o ato a ser feito na tua sala.
- Partilhar a publicação de uma profissional externa que atende no teu espaço, se este não tiver registo e licença na ERS.
O enquadramento completo está no guia sobre botox e preenchimentos num instituto de beleza. Para saber onde fica o limite nos outros serviços, lê o que uma esteticista pode (e não pode) fazer.
Atenção aos nomes comerciais
Há tratamentos de cabelo que se vendem com o nome «botox capilar». O nome não diz o que o produto contém. Antes de publicar, confirma na ficha técnica que o produto não tem toxina botulínica e descreve o serviço pelo que ele faz realmente ao cabelo. O guia do botox capilar ajuda-te a organizá-lo como serviço.
A zona cinzenta: laser, IPL, microagulhamento, peelings e radiofrequência
Para estes serviços, a legislação portuguesa não tem uma lista fechada que os reserve a profissionais de saúde nem que os permita expressamente a esteticistas. A ERS avalia caso a caso com os três critérios acima: o que diz o manual do equipamento, o que diz o folheto do produto e se a técnica é invasiva.
Antes de publicar sobre um destes serviços:
- Abre o manual do equipamento e procura indicações de uso exclusivo por profissional de saúde.
- Lê o folheto de cada produto que aplicas, sobretudo os que entram na pele com agulhas.
- Confirma se a técnica que usas implica injeção ou implantação de produto.
- Se a resposta a alguma destas perguntas for «sim» ou «não sei», não publiques antes de esclarecer a dúvida com o fornecedor ou com a ERS.
Tens mais detalhe em depilação a laser e IPL num centro de estética: o que diz a lei.
Promessas de resultados: o cuidado que deves ter
A Nota Informativa n.º 2/2025 confirma que o RJPPS se aplica, mas não detalha as regras concretas sobre o conteúdo das mensagens. Por isso, não te damos aqui uma lista de frases proibidas por lei, porque não a conseguimos confirmar. Se anuncias um serviço que possa ser um cuidado de saúde, lê o texto do RJPPS ou pergunta à ERS.
Mesmo nos serviços que são claramente de beleza, prometer o que não controlas dá problemas: clientes desiludidas, reclamações e dúvidas sobre se o serviço é estética ou tratamento de saúde. A regra prática é descrever o que fazes e não garantir resultados.
| Evita | Prefere |
|---|---|
| «Resultados garantidos» | Explicar o que se faz em cada sessão |
| «Elimina as rugas» | «Tratamento de hidratação do rosto» |
| «Resultado definitivo» | «Número de sessões combinado na avaliação, conforme o caso» |
| «Sem dor nenhuma» | «Explicamos na primeira visita o que vais sentir» |
| «Tratamento médico-estético» (sem o ser) | «Tratamento de estética» |
| Antes e depois sem contexto | Foto autorizada por escrito, com a nota de que os resultados variam de pessoa para pessoa |
As fotos de clientes precisam de autorização. Vê como a pedir no guia sobre fotos de antes e depois.
Lista de verificação antes de publicar
- O serviço cumpre algum dos três critérios da ERS? Se cumprir, o espaço e a profissional têm de estar habilitados, e a publicidade fica sujeita ao RJPPS.
- O texto, a legenda ou as hashtags mencionam botox, preenchimentos, ácido hialurónico injetável ou fios tensores?
- A imagem mostra agulhas, seringas ou produtos de uso exclusivo por profissionais de saúde?
- Aparecem palavras como «garantido», «definitivo», «permanente» ou «sem dor»?
- Usas termos como «clínica», «médico» ou «tratamento médico» sem que o teu espaço o seja?
- Tens autorização escrita para usar as fotos das clientes?
- Se é uma promoção, as condições estão claras: o que inclui e até quando é válida?
Erros comuns
- Achar que um story não conta porque desaparece ao fim de 24 horas. Qualquer pessoa pode gravá-lo e guardá-lo.
- Copiar legendas de marcas ou de clínicas. Uma frase que serve a uma clínica licenciada pode não servir ao teu instituto.
- Rever o feed e esquecer os destaques, a bio, os anúncios antigos e a descrição no Google.
- Divulgar «parcerias» com profissionais de saúde que atendem no teu espaço sem confirmar que este tem registo e licença na ERS.
O que fazer amanhã
- Percorre as publicações dos últimos meses, os destaques e a bio. Arquiva tudo o que mencione botox, preenchimentos ou fios tensores, ou que prometa resultados.
- Faz uma lista dos serviços que usam equipamentos ou produtos técnicos e guarda os manuais e folhetos numa pasta.
- Revê os nomes e as descrições dos serviços em todos os sítios onde as clientes marcam: site, Google e página de marcações. Se usas o Nevi, a tua página nevi.pt/b/nome mostra a lista de serviços, e podes corrigir lá os nomes que prometem resultados.
- Escreve três regras para quem publica no perfil do salão: o que nunca se menciona, que palavras se evitam e quem aprova antes de publicar.
- Se tiveres dúvidas sobre um serviço concreto, pergunta por escrito à ERS e guarda a resposta.
Perguntas frequentes
Um instituto de beleza pode publicar fotos de botox feito por uma médica?
A ERS indica que a toxina botulínica e os preenchimentos só podem ser aplicados por médicos ou médicos dentistas, num estabelecimento com registo e licença na ERS. Se o teu instituto não tem esse registo, não deves anunciar nem promover esses atos no teu perfil.
As regras da ERS aplicam-se a stories e reels do Instagram?
Sim. Segundo a Nota Informativa ERS n.º 2/2025, a publicidade a cuidados de saúde ligados à estética está sujeita ao RJPPS também nas redes sociais.
Posso anunciar depilação a laser ou IPL no meu centro de estética?
Não há uma lista legal fechada para estes serviços. A ERS decide caso a caso, sobretudo pelo que diz o manual do equipamento e por a técnica ser ou não invasiva, por isso confirma isto antes de publicar.
A ERS fiscaliza mesmo a publicidade de estética?
Sim. Entre 2022 e meados de 2025 foram propostos 55 processos de contraordenação por publicidade a cuidados de saúde ligados à estética.
O «botox capilar» está sujeito às regras da ERS?
O que conta é o produto e a técnica, não o nome do serviço. Confirma na ficha técnica que o produto não tem toxina botulínica e descreve o serviço como tratamento de cabelo.
Fontes
- ERS: Nota Informativa n.º 2/2025, intervenção da ERS nos cuidados de saúde ligados à estética (consultado a 18/10/2026)